Comemoração do 126o. aniversário do nascimento do Dr. Edward Bach, criador dos primeiro florais


 Simplicidade, Humildade e Compaixão


Sou terapeuta, e como tal, lido com a dor todos os dias, pois muito além de ser o meu trabalho, é também minha paixão: o cuidado com o outro.
Através da terapia de Florais de Bach, busco compreender o momento de dor do meu paciente e tento fazer com que ele se sinta acolhido verdadeiramente. E para isso, não sou  apenas ouvidos, mas também sentidos, todos voltados para cada uma de suas palavras.
Como terapeuta, não me julgo mais do que o paciente, com o poder sobre a sua vida apresentando soluções rápidas, imediatas do problema. Mas, procuro ir muito além... Sutilmente lhe peço licença para, ao menos por uma hora, entrar em seu mundo e procurar entendê-lo com meu coração. Ao menos por esse momento, sinto-me como uma convidada a conhecer o seu mundo mais íntimo, e aí então consigo perceber a sua verdadeira dor. Meu silêncio é essencial...
Às vezes, como qualquer ser humano, também adoeço, ou me sinto triste. O sofrimento também faz parte da minha jornada, assim como faz parte da jornada de qualquer ser humano. E isso parece assustar as pessoas, pois frequentemente ouço o comentário: “Mas, você assim?” Eu sorrio, pois parecem esquecer que antes de eu ser uma terapeuta, sou um ser passível da dor como qualquer outro. Respondo gentilmente: “Sim. Eu também. É necessário, até para que eu entenda a sua dor e possa te ajudar a superá-la.”
Dr. Edward Bach
Dr. Edward Bach, médico inglês, descobridor dos florais,  em seus últimos dois anos de vida, fez a descoberta dos últimos 19 florais – os Assistentes – e para isso, passou por estados de desequilíbrio físico e emocional, para que assim, pudesse identificar a cura e buscar a flor que traria o alívio. Sentindo a dor, ele era capaz de compreender ainda melhor, a dor que aflige o outro.

Ele contraía algumas horas antes os sintomas da      doença e isso, embora muito desgastante para ele, dava-lhe uma tal compreensão e empatia com seus pacientes, que eles imediatamente tinham certeza de que conseguiriam auxílio, tranqüilizados pelo conhecimento íntimo que Bach possuía das condições deles. (WEEKS,XIX,p.156)

Vivemos numa sociedade onde o imediatismo, o sucesso e a felicidade são fatores obrigatórios na vida de todos. Um olhar maquiado, um sorriso permanente, uma palavra pronta sempre na ponta da língua; frases feitas, expressões de euforia, palavras doces e emoções superficiais, permeiam nossa cultura, transformando pessoas numa espécie de Poliana, em que o joguinho do contente se faz mais do que necessário, uma filosofia de vida imprescindível. É o fast food da alegria e do prazer.
Frases de otimismo com conotações de pretensa filosofia, sem reflexões mais profundas são colocadas e adquiridas como produtos em prateleiras de supermercado, com prazo de fabricação e validade. Logo, minutos depois, são substituídas por outras, mais alegres, mais “verdadeiras”, mais coloridas, sem que para isso, as frases que foram substituídas tivessem sido vivenciadas verdadeiramente. É a urgência do discurso pronto!
Somos obrigados a ser felizes e bonitos a todo instante, sem direito a dor. O sorriso deve ser permanente, mesmo que o coração esteja partido e a vontade de chorar esteja insuportável. Um vazio de sentidos adoece consciências...
A negação da dor é a negação de si mesmo, uma vez que esta está nos indicando que em algum fator de nossas vidas, estamos falhando. Ela não deve ser alimentada para fazer-se maior, mas sim, vista como um sinal de que devemos tomar alguns cuidados a partir de uma observação profunda sobre suas causas.
Será que a inabilidade de cuidar do outro, de estender a mão apontando o dedo, trazendo a solução pronta como se fosse uma fórmula mágica, sem dar a menor atenção à verdadeira causa do problema, a inabilidade de não saber ouvir e compreender a dor do outro, está intrinsecamente ligada a nossa dificuldade em lidar com a própria dor?

"Não há despertar de consciência sem dor. As pessoas farão de tudo, chegando aos limites do absurdo para evitar enfrentar sua própria alma. Ninguém se torna iluminado por imaginar figuras de luz, mas sim por tornar consciente a escuridão." JUNG, Carl G.)

Um terapeuta deve ser um agente nesse momento, capaz de  ajudar o outro a perceber por si próprio, onde ele está precisando fazer uma modificação ou ganhar algum sentido.
Mas como fazer isso? Como ajudar o outro a resolver os seus problemas?
Nesse ponto, somente uma sutileza de sentidos muito grande é capaz de tal façanha. E para isso não é apenas necessário ser um terapeuta de fato, mas antes de tudo um ser humano com a sensibilidade necessária para ouvir, seja lá qual for a sua formação. Conforme  JUNG, Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.”
Mostrar-se capaz de ouvir, de compreender a dor alheia. Dizer ao outro com a docilidade necessária: “Eu te compreendo. Eu sei o que está sentindo. E estou aqui, ao seu lado.” Muitas vezes basta um abraço, alguns minutos de atenção, e a empatia será estabelecida. A dor só precisa de cuidados. A dor só precisa ser ouvida. Deixar que ela se manifeste, para que possamos compreender o seu real significado.
Sigmund Freud, em sua maravilhosa obra, disse:

"Existem momentos na vida da gente, em que as palavras perdem o sentido ou parecem inúteis e, por mais que a gente pense numa forma de empregá-las, elas parecem não servir. Então a gente não diz, apenas sente."

Mas quem é terapeuta, afinal? Terapeuta é todo aquele que se propõe a estender a mão para o outro e deixar que o seu silêncio seja maior do que suas palavras. É aquele que sabe ouvir sem apontar, e se coloca no lugar do outro.
Conforme Dr. Edward Bach,

“Não apenas podemos nos curar, mas também temos o grande privilégio de sermos capazes de ajudar os outros a se curarem e as únicas qualificações necessárias são amor e compaixão.”

Sorrir é maravilhoso. Mas a tristeza e a dor também são agentes necessários para que possamos conhecer a felicidade, ao menos no estado de consciência, no qual nos encontramos. Assim como se sabe que o dia é dia, apenas por saber que a noite não se tem o Sol. As cores são diversas, mas todas compõem a mesma aquarela, que nas mãos do artista se transformam em obras de arte. A alegria, a dor, o choro ou o riso, tudo tem seu valor.
Apresentar soluções rápidas e superficiais é o mesmo que dizer a um deficiente visual, que estando preso a um pequeno lugar, bate sua cabeça numa parede, e tropeça no menor obstáculo: “Você bate sua cabeça, porque é cego! Deve sair daí!” Qual o sentido disso? Acaso ele já não sabe que seu problema é justamente esse? Não seria mais adequado, darmos a mão a ele, e dizer com gentileza: “Posso  dar minha mão a você nesse momento e juntos sairemos dessa situação que tanto te aflige?!”
O imediatismo do mundo moderno nos priva dessa condição de paciência, com sua suprema exigência da felicidade adquirida num “fast food emocional”, ilustrada pela superficialidade e falta de compaixão para com o outro. Temos pressa! E a pressa não nos permite aprender a lidar com o outro. Pois a pressa, nos rouba o próprio  tempo. Tempo que nos falta a nós mesmos para nos compreender.
Olhar mais para dentro de si sem medo, é compreender melhor o outro. Um olhar profundo, capaz de perceber a simplicidade que a vida nos pede, reconhecer com humildade nossas próprias dificuldades, nos levará a divina Compaixão por nós mesmos e também, por todos os que sofrem.

Humildade, Simplicidade e Compaixão, foram os preceitos que sustentaram a vida e a  filosofia do Dr. Bach,  que viveu aquilo que acreditou, e acreditou em tudo o que viveu.


"A vida não nos exige sacrifícios inatingíveis; ela nos pede que façamos nosso caminho com alegria no coração e que sejamos uma bênção para os que nos rodeiam, de forma que, se deixarmos o mundo apenas um pouquinho melhor do que era antes da nossa visita, teremos cumprido a nossa missão." (BACH, Edward)

Peço então a mim e ao mundo: Humildade, Simplicidade e Compaixão por mim mesma, e por todos os seres viventes.

Por Sandra Baptista


Referência bibliográfica:
BACH, Edward.“Cura-te a ti Mesmo” – Ed. Pensamento
WEEKS, Nora.As Descobertas Médicas do Dr. Edward Bach.The Dr. Edward Bach Healing Centre1973.

Comentários

  1. Parabéns, Sandra, por este texto tão esclarecedor a respeito do papel do terapeuta e a importância da compreensão da dor para que melhor possa auxiliar no processo de cura. Texto maravilhoso, enriquecido pelas citações de Jung e do Maravilhoso Dr. Bach!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Gratidão profunda, Fulvio! agradeço muito o seu carinho! beijos e luz!

      Excluir
  2. Parabéns ,Sandra! Excelente texto! Gratidão! Beijos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Gratidão profunda, Ana Cristina!!! Beijos no coração!

      Excluir
  3. Parabéns pelo texto! Muito claro, muito bem escrito e cheio de profundos sentimentos... Obrigada!

    ResponderExcluir
  4. Parabéns pelo texto! Muito claro, muito bem escrito e cheio de profundos sentimentos... Obrigada

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Paz profunda!!!